domingo, 20 de maio de 2018

Primeiros Americanos


Quando os europeus chegaram, a América já era povoada. Milhões de indivíduos de diversas tribos se espalhavam por todo o continente. Até o final do século XIX pouco se sabia a respeito do passado dos nativos do continente. Afinal quem são esses povos? Quando e como chegaram ao continente que hoje chamamos de América?

Teoria Clovis-primeiro

Durante a última era do gelo o nível do mar baixou (aproximadamente 120 metros abaixo do atual nível) deixando à mostra uma faixa de terra firme que ligava a Sibéria (Ásia) ao Alasca (América do Norte). Essa faixa recebeu o nome de Beríngia e começou a emergir a aproximadamente 38000 anos até ser novamente submersa por volta de 11700 AP.
A teoria Clovis-primeiro, que era consenso entre os pesquisadores até a década de 1980, tem como ideia central de que os primeiros americanos são provenientes da Ásia e vieram para a América através da Beríngia, chegando a América do Norte através de um corredor entre as geleiras ou através de navegações ao longo da costa.

Estreito de Bering com a borda marrom claro representando a Beríngia
Imagem de: nps.gov

Essa teoria é fundamentada em uma descoberta feita no início da década de 1930, próximo a cidade de Clovis (Novo México, EUA), onde foram encontrados vestígios de habitação humana primitiva, havia ferramentas de osso (martelos e raspadores), pontas de projetil e ossadas de animais, sendo que as primeiras análises afirmam que o complexo de Clovis é de 9500 a 9000 A.C., porém já no século XXI, análises mais precisas foram feitas e dataram o complexo entre 9050 a 8800 A.C.

Teoria descartada

Descobertas recentes derrubaram a teoria Clovis-primeiro, demonstrando que os seres humanos estão na América muito antes do início da cultura Clovis. Em Monte Verde no Chile foram encontradas evidências de ocupação humana a cerca de 14500 AP, no sítio arqueológico da Serra da Capivara há indícios de presença de povos nômades a mais de 20000 anos, em 1974, no sítio arqueológico Lapa do Santo, Minas Gerais, foi encontrada Luzia, um crânio com mais de 11000 anos de idade. Só que Luzia era diferente de todos os outros paleoíndios encontrados até então. Ao invés das características asiáticas encontradas até então, Luzia possui feições semelhantes aos dos aborígenes australianos. Apesar de enfrentar muita rejeição no começo, parte dos pesquisadores acreditam que os primeiros americanos vieram da Austrália (provavelmente de barco) muito antes de as rotas livre de gelo através da Beríngia estarem disponíveis, principalmente devido a descoberta de mais esqueletos com as mesmas características de Luzia.

Reconstituição  do rosto de Luzia.
Foto: USP

Migração pelo Pacifico

Com a descoberta dos esqueletos aliada a comprovação da presença humana muito antes das rotas livres de gelo estarem disponíveis ganha força a teoria de que os primeiros humanos a chegar na América navegaram 13500 quilômetros desde a Austrália até a costa oeste do continente americano, sendo que essas pessoas de características negroides descendentes dos primeiros humanos a deixarem a África cerca de 100000 anos atrás.
Apesar de chegarem a América muito antes dos asiáticos, não há evidencia genética de que os nativos que ocupavam o continente (hoje vivem apenas em algumas reservas) quando os europeus chegaram são descendentes diretos dos Africanos/Australianos e sim de povos asiáticos. Para explicar esse fatos os defensores da migração pelo Pacifico, afirmam (baseados nas mudanças da forma dos crânios encontrados alguns milênios após a chegada dos asiáticos e em pinturas rupestres, que indicam o aumento da violência nesse período) que os asiáticos que vieram do norte foram gradualmente destruindo os primeiros habitantes do território.



A identidade dos primeiros americanos e como eles chegaram aqui ainda é um assunto controverso e nebuloso. A teoria Clovis-primeiro que foi um consenso durante muito tempo foi descartada com achados recentes, isso porém traz mais perguntas do que respostas: Como vieram? Se vieram da Austrália como fizeram para atravessar o oceano com as tecnologias da época? O que aconteceu após chegar ao continente? Como foram destruídos? Perguntas sem respostas até o momento. Só o tempo e o avanço dos estudos trarão as respostas (ou, provavelmente mais perguntas).



Referências


PAULS, Elizabeth. “Native American”; Encyclopædia Britannica. Disponível em https://www.britannica.com

FERNANDES, Thaís.“Os primeiros habitantes da América do Norte”; Ciência Hoje. Disponível em http://www.cienciahoje.org

ROMERO, Simon. “Discoveries challenge beliefs on humans' arrival in the Americas”; The New York Times. Disponível em https://www.nytimes.com

Ancient Voices: The hunt for the first Americans”; BBC News. Disponível em http://news.bbc.co.uk

Who were the first Americans”; National Geographic. Disponível em https://news.nationalgeographic.com

A origem do homem americano é contestada”; Agência Fapesp. Disponível em http://agencia.fapesp.br

CASTRO, Fábio de. “Estudo descarta a chegada de humanos às Américas pelo Estreito de Bering”; Estadão. Disponível em http://ciencia.estadao.com.br

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O Lobo das Planícies (O Conquistador #1)

Páginas: 420
Ano: 2008
Autor: Conn Iggulden
Editora: Record


SINOPSE:
Temujin, segundo filho do chefe dos lobos, tinha apenas onze anos quando seu pai morreu numa emboscada. A família foi expulsa da tribo e deixada sozinha, sem comida nem abrigo, para morrer de fome nas duras planícies da Mongólia. Foi uma dura introdução a um súbito mundo adulto, mas Temujin sobreviveu, aprendendo a combater ameaças naturais e humanas.


O lobo das planícies é um livro de ficção histórica escrita por Conn Iggulden e conta a primeira parte da história de Temujin, desde sua infância na tribo dos lobos até se tornar um líder militar implacável contra seus inimigos.
A Mongólia do início do século XIII era um local dividido em diversas tribos que em alguns períodos faziam negócios enquanto em outros viviam em guerra, um mundo duro onde os guerreiros tinham orgulho em sequestrar mulheres de outras tribos para serem suas esposas. O inverno era cruel e apenas os mais fortes sobreviviam.
Temujin era filho do Cã da tribo dos lobos e tinha como objetivo se tornar Cã depois de seu pai, mas quando ele tem apenas 11 anos seu pai morre após uma emboscada e um novo Cã toma a tribo e expulsa Temujin e sua família sem armas ou comida, para que eles morram no rigoroso inverno das estepes.
Neste momento é dado um destaque maior para Hoelum a mãe de Temujin, mostrando toda a força que ela teve que ter e transmitir aos filhos, para eles não se entregassem ao desespero e sobrevivessem. O tempo vai passando e eles vão conseguido sobreviver e até melhoram de vida fazendo comércio com outros desgarrados como eles. Quando eles começam a se sentir seguros acontece algo que os lembra dos perigos da vida sem uma tribo para protegê-los, o ódio cresce dentro de Temujin, e ele arquiteta um plano para se vingar dos responsáveis pelo seu sofrimento, e o que ele faz em seguida abala o mundo.


A história é escrita de forma simples e dinâmica, alternando momentos de ação com momentos mais dramáticos, os personagens, exceto Temujin, não são completamente desenvolvidos, mas ainda assim são bons personagens que devem estar mais em foco nos próximos livros.
O pano de fundo da história, a ambientação também é muito bem feita, sendo que o autor viveu por um tempo entre os mongóis, ouvindo suas histórias e aprendendo os seus costumes, suas tradições.
Enfim O Lobo das Planícies é uma leitura recomendada a todos aqueles que gostam do gênero, com uma narrativa simples, batalhas muito bem descritas e um personagem principal forte e capaz de grandes feitos.

domingo, 13 de agosto de 2017

Ruínas de Gorlan (Rangers: Ordem dos Arqueiros#1)



        Vamos agora para mais um post do Pena, Tinteiro e Papel, nosso clube do livro. O livro essa vez é: As Ruínas de Gorlan uma história Infanto-juvenil escolhido pela Vanessa.

       Para ver as opiniões do Mateus, da Vanessa e da Giani é só clicar nos links ;)


Páginas: 240
Ano: 2009
Autor: John Flanagan
Editora: Fundamento


SINOPSE:
       Durante a vida inteira, o pequeno e frágil Will sonhou em ser um forte e bravo guerreiro, como o pai, que ele nunca conheceu. Por isso, ficou arrasado quando não conseguiu entrar para a Escola de Guerra. A partir daí, sua vida tomou um rumo inesperado: ele se tornou o aprendiz de Halt, o arqueiro. Relutante, Will aprendeu a usar as armas dos arqueiros: o arco, a flecha, uma capa manchada e... um pequeno pônei muito teimoso. Podem não ser a espada e o cavalo que ele desejava, mas foi com eles que Will e Halt partiram em uma perigosa missão. Essa será uma viagem de descobertas e aventuras fantásticas, na qual Will aprenderá que as armas dos arqueiros são muito mais valiosas do que ele imaginava



As ruínas de Gorlan é um livro de fantasia medieval que narra a história de Will, um garoto órfão que vive como protegido do Barão Arald no Castelo Redmont. Sempre que um protegido completa 15 anos ele deve se candidatar a uma vaga como aprendiz de algum mestre de ofício no castelo.

O maior sonho de Will é se tornar cavaleiro e para isso ele deve entrar para a Escola de Guerra. Mas apesar de sua inteligência e agilidade ele não é aceito, não tem estatura e é fraco para os padrões da Escola de Guerra. Mas um dos mestres reunidos mostra interesse em Will que tem um misto de felicidade e medo. Felicidade pois ele se vê livre do seu maior temor: viver como fazendeiro na vila próxima ao castelo. E medo pois o mestre que demonstrou interesse nele é Halt o Arqueiro, uma pessoa misteriosa que muitos acreditam ser algum tipo de praticante de magia negra.

Desconsolado e temeroso Will se torna aprendiz de Halt... e descobre que ser arqueiro não é tão ruim quanto ele acreditava. O treinamento é difícil e cansativo. Halt é um mestre muito exigente, econômico nos elogios e que não perde a oportunidade de deixar seu aprendiz “quebrar a cara” quando este se mostra muito afobado. Mas Will se mostra competente e corajoso… mas ele tera que por sua coragem e habilidade à prova, pois um grande inimigo sai do exílio colocando todo o reino sob ameaça novamente.



Este é o primeiro volume da gigante série (12 livros) Rangers: A Ordem dos Arqueiros escrita por John Flanagan. A história foi escrita para incentivar seu filho a ler, tanto que o personagem principal, Will, é inspirado nele, que na época era um garoto pequeno e fraco para a idade.

As Ruínas de Gorlan é um livro infanto-juvenil, é um livro pequeno, mas não é apenas uma aventura com único objetivo de entreter, por trás da aventura, da linguagem simples e escrita leve o autor introduz temas como a coragem, força de vontade e principalmente sobre a amizade.

domingo, 9 de julho de 2017

O Protegido (Ciclo das treva#1)

Vamos agora para mais uma resenha do nosso pequeno clube do livro, um clube que não está mais tão pequeno. Temos agora mais uma integrante nesse clube; a Giani (irmã da Vanessa) resolveu se juntar aos loucos e é a mais nova integrante do nosso clube do livro o blog dela é o Dualidade Peculiar. Clube que agora tem um nome (se não fosse a Giani esse clube iria se chamar “clube do livro” para sempre), pesamos, debatemos e escolhemos: Pena, Tinteiro e Papel. Sem mais delongas vamos a resenha do livro O Protegido, já avisando que a resenha contem spoilers.

Páginas: 514
Ano: 2015
Autor: Peter v. Brett
Editora: DarkSide Books


SINOPSE
Assim que a escuridão cai, os terraítas aparecem em grande quantidade, gigantes demônios de areia, de vento e de pedra, famintos por carne humana. Depois de séculos, os humanos definham com o esquecimento das marcas de proteção. Arlen, Leesha e Rojer, três jovens que sobreviveram aos ataques demoníacos, atrevem-se a lutar e encarar o perigo para salvar a humanidade.




O Protegido é o primeiro volume da série Ciclo das Trevas escrito por Peter V. Brett. O universo criado pelo autor é muito criativo, interessante e... sombrio: um mundo em que todo dia depois do pôr do sol demônios surgem das profundas e a única coisa que mantém as pessoas a salvo são as proteções. 
Nesse mundo sem esperança nós acompanhamos três personagens, Arlen vive em um vilarejo afastado das grandes cidades do reino e tem o sonho de se tornar um mensageiro (uma pessoa enfrenta o perigo dos terraítas, viajando longas distâncias para levar mensagens e suprimentos aos vilarejos e outros reinos), mas como ele vive em um vilarejo afastado esse é um sonho distante e nem mesmo ele realmente acredita que possa acontecer, porém as coisas mudam quando, em um dia, a noite chega cedo e sua mãe é atacada por terraítas, Arlen corre para tentar salvá-la, seu pai porém fica parado a beira das proteções com medo demais para ajudar. Arlen consegue levá-la para dentro de uma região protegida, mas ela já está gravemente ferida. Dois dias depois, cansado da covardia do pai Arlen foge. Foge com um grande desejo de não se esconder determinado a encontrar um modo de lutar contra os terraítas
Temos também Lessha e Rojer, que são personagens secundários e menos desenvolvidos (principalmente Rojer) do que Arlen. Lessha vive em um vilarejo mediano e é aterrorizada por sua mãe, inconformada por ter tido uma filha em vez de um filho, mas a vida dela muda após um ataque terraíta quando ela ajuda Bruna a ervanária e acaba se tornando sua aprendiz, acabado o seu treinamento ela é enviada para ajudar uma das aprendizes de Bruna em um hospital em Angiers. Rojer tem 03 anos e vive com seus pais em uma pequena cidade movimentada pela vinda do duque. O protetor da cidade tem toda a sua atenção em fazer grandes proteções na ponte de forma a impressionar o duque. As proteções das casas ficam mal cuidadas e em uma noite os terraítas atravessam as proteções e destroem a cidade. Os pais de Rojer morrem mas ele é salvo por um menestrel.



O protegido é uma história que eu tinha muita vontade de ler. A expectativa estava lá no alto. Porém ele foi a minha maior decepção literária do ano até o momento. O livro não é péssimo, mas na minha opinião é apenas “legal”, ficou muito abaixo das expectativas que eu tinha.
O livro é dividido em quatro partes, a primeira é uma introdução ao mundo e aos personagens essa parte ficou realmente muito boa, apresenta os personagens de forma dinâmica a ambientação é muito bem feita, com um conflito bem definido e totalmente plausível.
A segunda e terceira partes são quase totalmente focadas no Arlen e mostra seu desenvolvimento, seu treinamento, o aumento do seu ódio em relação aos terraítas e sua busca por alguma forma de derrotar os terraítas. Essas duas partes cobrem uma grande quantidade de tempo e acaba com uma grande transformação em Arlen. Essas partes são boas, mas ainda assim são mais fracas do que a primeira, a partir do final da segunda parte começam a acontecer coisas que começara a me incomodar. Personagens secundários mas de importância para a história foram deixados de lado de forma abrupta e sem nenhum desfecho em seus arcos. Já na terceira parte ele tira uma carta da manga e quebra o que era até então uma regra para salvar um personagem. Essas coisas me incomodavam mas ainda assim não prejudicavam tanto a história.
A quarta parte, o desfecho da história. Essa parte foi realmente muito ruim. Lessha e Rojer acabam se encontrando em Angiers e algo faz com que eles acabem viajando juntos. Eles acabam emboscados e são deixados ao relento com o sol próximo a se por, até ai tudo bem, a forma como tudo isso aconteceu foi bem desenvolvida e lógica. O que não tem sentido é Arlen aparecer do nada para salvar os dois. Outros pontos negativos para nessa parte foram as cenas de luta, o que na minha opinião foram totalmente surreais, além de um romance completamente sem sentido e lógica entre Arlen e Lessha.

Enfim, O protegido tem uma premissa interessantíssima e apesar de uma primeira parte promissora o autor se perdeu e não aproveitou todo o potencial que essa história tinha.