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domingo, 26 de abril de 2020

O Diário Secreto de Laura Palmer

Vamos agora para mais um post do Pena, Tinteiro e Papel, nosso clube do livro. O livro dessa vez é: O diário secreto de Laura Palmer escolhido pela Paula.
Para ver as opiniões do Mateus, da Vanessa, da Giani e agora também da Mysttyky e da Paula é só clicar nos links ;)


Informações Técnicas

Páginas: 272
Ano: 2016
Autor: Jennifer Lynch
Editora: GloboLivros

SINOPSE:

Laura Palmer, a bela rainha do baile de formatura, a menina com as melhores notas, gentil, encantadora, filha de pais amorosos e o retrato perfeito da juventude de ouro americana. Quem teria algum motivo para assassinar Laura a sangue frio? A resposta para essa pergunta não estava no diário róseo encontrado pela polícia no quarto da jovem, mas sim em um volume escondido, onde Laura expõe sua verdadeira face. Drogas, orgias, prostituição, abuso, medo. Um retrato de uma adolescente perdida, que, ao tentar romper com os padrões impostos pela rígida sociedade interiorana onde foi criada, trilhou um caminho sem volta de perdição e desespero.

A cada entrada do diário, que se inicia em seu aniversário de doze anos e segue até o dia de sua morte, quatro anos depois, Laura revela detalhes não apenas sobre seu flerte com a depressão como também a realidade sórdida ocultada pelas brumas de Twin Peaks, cidade madeireira do interior dos Estados Unidos, onde, assim como a própria Laura, ninguém – e nada – é exatamente o que parece ser.


A História

O diário secreto de Laura Palmer é um suspense sobrenatural, sendo um prequel da séria de muito sucesso dos anos 90 Twin Peaks, o livro é escrito por Jennifer Lynch, filha do criador da série David Lynch, porém essa resenha é baseada apenas no livro já que eu não assisti a série, e como de costume essa resenha tem alguns spoilers.
É 22 de Julho de 1984 e uma menina se apresenta em um diário, seu nome é Laura Palmer e ela está completando doze anos. Laura vive com seus pais em Twin Peaks uma cidadezinha no interior dos Estados Unidos, na fronteira com o Canada. E isso deixa a história mais difícil de “engolir”.
Laura é uma menina “perfeita”, com uma vida “perfeita”, tem boas notas, foi eleita a rainha do baile, é amada pelos pais e pelo namorado, o capitão do time de futebol da escola. Mas como alguns sabem as aparências podem esconder muitos monstros e demônios. E assim é com Laura, por trás de toda essa perfeição tem uma garotinha que é constantemente abusada por Bob, mas quem ou o que é Bob? Uma substituição infantil para um abusador do mundo real? Uma entidade demoníaca que sente prazer em abusar da menina? Uma alucinação de uma mente destruída? Nós não sabemos, apenas sabemos que ele aparece nos sonhos de Laura e a abusa.
Laura vai crescendo e os abusos vão aumentando, não apenas sexuais, mas de todas as formas, Bob bombardeia a mente dela com ideias de que ela é uma pessoa má, que ela gosta dos abusos, que ela é um lixo. Ela tenta lutar contra todos esses pensamentos, e vemos que nem ela sabe o que o Bob é, ou se ele é real, mas de toda forma Laura entra em uma espiral negativa, e vemos ela se destruir a cada nova anotação no diário, a cada dia ela se afunda em drogas, sexo, prostituição e até um aborto e por fim a morte assassinada.

Opinião

No começo desta resenha eu disse que um dos motivos desta história ser difícil de “engolir” é o fato de se passar em uma cidadezinha, em alguns momentos do livro Laura escreve que todos acreditam que ela seja a jovem perfeita, foi até eleita a rainha do baile, enquanto se droga e participa de orgias na floresta… realmente não “desce” que Laura tenha feito tudo o que fez e tenha passado despercebido para a cidade inteira (só faria sentido se a cidade fosse o próprio mal, como em It a coisa, e não há nenhum indicio disto), ainda mais que a todo o momento ela faz uso de cocaína e novamente, não acredito que ninguém perceberia. Isso foi algo que me incomodou bastante nesse livro.
A história toda é escrita em forma de diário e do ponto de vista da Laura (Já que o diário é dela :P), talvez por esse motivo todos os personagens sejam rasos e nada cativantes, praticamente não sabemos nada dos pais dela, a melhor amiga quase nem aparece e o namorado é só um cara apaixonado que gosta de se drogar e depois vira traficante, sinceramente não achei nenhum personagem cativante nessa história.
Jennifer Lynch tentou criar um livro denso e profundo que trata de vários temas realmente importantes, como transtornos mentais e abusos sexuais, físicos e psicológicos, mas infelizmente não foi bem executado, me pareceu que ela mais quis chocar os leitores com cenas explicitas do que realmente tratar desses assuntos e das consequências que transtornos e abusos podem causar. Só fica claro que abusos de todas as formas podem destruir uma pessoa, mas isso não foi bem executado, parece que a Laura realmente gosta de afundar na lama as vezes, sim, isso por vezes acontece na vida real, mas o péssimo desenvolvimento dos motivos de suas escolhas, junto com a dúvida de saber se os abusos são reais ou se estão apenas na cabeça dela, faz com que os sentimentos dela escritos no diário não pareçam reais.


Veredito

Comecei esse livro com uma certa expectativa, um livro diferente do que estou acostumado a ler, algo que não está no meu radar e acredito que todo mundo gosta de um bom suspense, o que infelizmente não foi o caso, para mim foi um amontoado de boas ideias mal executadas. Talvez e experiência seja diferente para quem é fã da séria, mas acredito que para aqueles que como eu não assistiram não seja uma boa leitura.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Até que a morte nos separe



Informações Técnicas

Páginas: 126
Ano: 2016
Autor: Rafael Cordeiro
Editora: Independente
À Venda em: Amazon

SINOPSE:

Quando um jovem viúvo chega em casa e encontra sua esposa sentada casualmente no sofá da sala, algo certamente está errado. A dantesca cena é o gatilho inicial para uma jornada rumo ao misterioso, onde o amor é capaz de desafiar os limites da vida e da morte.
Neste romance, fantasia e realidade estão muito mais relacionadas do que pensamos: deuses podem estar na sua esquina; demônios podem estar no seu quarto. O imprevisível caminho trilhado pelo protagonista o levará a lugares proibidos, a lugares esquecidos, tudo em busca de sua amada.



A História


Até onde você iria por amor?

Daniel está arrasado. Qualquer um em seu lugar também estaria. Após pouco tempo de casado sua esposa está morta. Mas qual seria a sua reação se ao chegar em casa após o velório você encontrasse sua esposa te esperando? Certamente algo não está certo, pior ainda quando alguém aparece com o aviso de que se Anna não voltasse os dois sofreriam graves consequências. Anna não tem outra opção se não a voltar de onde veio. Só que Daniel não aceita perder sua esposa pela segunda vez e começa sua jornada ao reino dos mortos.

O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
1 Coríntios 13:4-7

O livro segue em duas linhas temporais, o Agora  que mostra a jornada de Daniel em busca de recuperar Anna e o Antes que mostra a relação do casal antes do fatídico dia, são pequenas demonstrações de amor e momentos marcantes da vida do deles como o dia que se conheceram o dia do casamento entre outros. De modo geral gostei mais das pequenas histórias do casal, a relação entre os personagens, a forma real de amor, não aquelas coisas forçadas em que os casais só estão juntos porque o autor assim o quis, tudo faz sentido.

Nós lanchamos no primeiro lugar que apareceu. Foi uma ocasião normal, no final de tudo. Na maioria das vezes, a vida é composta por acontecimentos absolutamente banais. É apenas a maneira de vê-los que os torna mais interessante.
Opinião

Conheci esse livro em um grupo literário no Facebook, o qual participavam diversos autores nacionais e blogueiros/youtubers. A princípio pensei que este livro fosse um daqueles romances clássicos, ledo engano. O livro do Rafael Cordeiro, sim tem como tema principal o amor, mas vai muito além disso, é uma fantasia madura, que aborda o amor não de forma banal ou bobo mas um amor que move e que se sacrifica.
Até que a morte nos separa trata também de religião e crença, no livro tem como personagens importantes diversos deuses de diversas religiões do passado, como a grega e a nórdica e do presente como o cristianismo. No livro todos os deuses existem por que a humanidade acredita neles, a partir do momento em que o culto a eles diminuem eles perdem a força para aqueles que são mais adorados. Sinceramente eu tenho uma pequena dificuldade em “aceitar” algo que vai contra a minha fé (estou tentando corrigir isso), portanto essa premissa me incomodou um pouco, mas nada que tire a beleza da obra.

Veja. Veja bem. Tudo o que vocês cultivam no mundo lá de cima deixado de lado. Tudo que lhes é mais caro. Todo aquele esforço diário não serve de nada na morte.

Veredito

Até que a morte nos separe é um livro bem curtinho mas, muito bem escrito, trazendo uma releitura moderna do mito grego de Orfeu e Eurídice, porém algumas partes poderiam ter um melhor desenvolvimento, principalmente a mitologia deste mundo, os deuses e tudo mais, mas ainda assim o que mais me desagradou é um tanto polêmico, mas eu achei o final da história um pouco abrupta e simplesmente ele não me agradou. Não tem nada de errado com o final e muita gente pode e realmente gostou, mas não deu certo para mim, enfim Até que a morte nos separe é um livro que tem mais qualidades do que defeitos (e até os defeitos nesse caso em sua maioria são questão de gosto) e recomendo para todo aquele que gosta de uma fantástica história de amor.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Só a Terra Permanece




Informações Técnicas

Páginas: 356
Ano: 1990
Autor: George R. Stewart
Editora: GRD



SINOPSE:
Enquanto o jovem estudante de geografia Ish estava isolado nas montanhas fazendo um trabalho para a faculdade, uma doença dizima a vida na Terra deixando apenas alguns poucos sobreviventes. Ele então faz uma jornada solitária pelos EUA, encontrando pessoas abaladas pela tragédia, voltando depois à sua cidade natal e tomando a casa de seus pais como nova moradia. Ao longo do tempo ele vai encontrando pessoas com quem forma uma tribo


A História

Só a Terra Permanece é um livro de ficção científica escrito por George R. Stewart e lançado em 1949, a história acompanha Isherwood Williams (ou simplesmente Ish), um estudante de geografia, que estava isolado nas montanhas fazendo uma pesquisa de campo, mas ele é picado por uma cobra e passa alguns dias de terror entrando e saindo de um sono febril. Quando finalmente se recupera Ish resolve voltar para a cidade. Mas há algo estranho. Todas as ruas estão desertas, todas as lojas estão fechadas, então ele encontra um jornal e o que está escrito o deixa estarrecido: um vírus desconhecido havia dizimado quase toda a humanidade.
Depois de um momento de reflexão Ish decide que ele não pode ser o único sobrevivente, alguém mais deve ter sobrevivido então ele viaja pelos Estados Unidos na busca por sobreviventes, onde encontra apenas pessoas muito afetadas pela tragédia: uns bêbados que não veem mais nenhum sentido na vida, outros loucos e armados, então ele acaba voltando para sua cidade, tomando como moradia a antiga casa de seus pais. Com o passar do tempo vão se juntando a ele algumas pessoas menos impactadas e assim eles começam a formar uma “tribo”, um reinício da civilização.

Opinião

Para ler essa história é necessário um pouco de esforço, a primeira parte do livro é bem enrolada e parece que não leva a lugar algum, porém ela é importante para mostrar ao leitor da situação da terra (ou melhor dos EUA), das pessoas sobreviventes e para nos fazer criar uma certa empatia com o personagem principal após o desastre. Nesse começo o foco fica nos conflitos e decisões internas de Ish, e nas previsões de como seria a evolução do planeta após a queda dos Homens, o que é um prato cheio para aqueles que gostariam de um vislumbre da Terra sem a influência dos Humanos.
Se a primeira metade do livro é enrolada e “difícil” de ler, a segunda é completamente  oposta, começam a surgir mais personagens e o que te prende ao livro não são grandes batalhas, ou “cenas” de perseguição, e sim a interação entre os personagens, as diferenças entre cada membro do grupo e em como eles lidam com isso. Você devora as páginas para saber como o grupo vai superar esse ou aquele problema, você se irrita com a indiferença dos mais jovens, e se abala com as tragédias que acontecem.
Só a Terra Permanece é uma história que, apesar de o começo lento exigir um pouco paciência, a forma como a história se desenvolve, principalmente a partir da introdução e do desenvolvimento de novos personagens, vale totalmente o esforço.

“Uma geração vai e outra geração vem; mas a Terra permanece.”
Eclesiastes 1:4 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Ouro, Fogo & Megabytes (Legado Folclórico#1)






Informações Técnicas



Páginas: 324
Ano: 2012
Autor: Felipe Castilho
Editora: Gutemberg


SINOPSE:
Anderson Coelho, um garoto nada extraordinário de 12 anos, divide sua vida entre a pacata realidade escolar e uma gloriosa rotina virtual repleta de aventuras em Battle of Asgorath, jogo de RPG online em que jogadores do mundo todo vivem num universo medieval, cheio de fantasia. Lá, Anderson – ou Shadow, nome de seu avatar – tem vida de estrela: é o segundo colocado do ranking mundial. E são justamente suas habilidades que chamam a atenção de uma misteriosa organização, que o escolhe para comandar uma missão surpreendente junto com um grupo de eco ativistas nada convencionais.
Ao embarcar para São Paulo, Anderson mergulhará de cabeça em uma aventura muito mais fantástica que as vividas em seu computador. Os encontros com hackers ambientalistas, ativistas com estranhos modos de agir e muitas criaturas folclóricas oferecerão a Anderson Coelho respostas não só sobre sua missão, mas também sobre sua própria vida, enquanto um novo mundo se descortina diante de seus olhos.

A História

Ouro, fogo e megabytes é uma história de fantasia infanto-juvenil escrita por Felipe Castilho. Nela acompanhamos Anderson Coelho, um garoto de 12 anos que mora no interior de Minas Gerais e como um bom nerd Anderson não tem muita aptidão para esportes preferindo passar seu tempo livre no quarto jogando Battle of Asgorath (um MMORPG) com seus amigos também nerds. Anderson é o líder de sua guilda e o segundo colocado no ranking mundial do jogo.



Após uma missão bem sucedida do seu grupo, uma criatura estranha se aproxima, um halfling level 1 (e que escreve sem nenhum erro de português). O Halfling convida Anderson para uma missão de extrema importância em São Paulo, desconfiado, Anderson a princípio recusa a oferta mas após alguns acontecimentos e uma suspensão escolar ele acaba aceitando a oferta e parte para uma aventura em São Paulo, onde toda a sua vida irá virar do avesso.
Chegando em São Paulo ele vai conhecer a Organização, uma espécie de ong ambiental mas que não recebe dinheiro do governo. A Organização é liderada por Patrão, um homem negro, de uma perna só, que usa uma boina vermelha e vive fumando cachimbo… Além de outras coisas “estranhas” que outros membros da organização podem fazer.
Em São Paulo Anderson terá de enfrentar a desconfiança de alguns, criar algo que parece estar além de suas capacidades, enfrentar criaturas sobrenaturais e ajudar a salvar o país de uma catástrofe sem precedentes… Será que ele consegue?

Opinião

Nessa releitura do nosso folclore Felipe Castilho criou uma fantástica aventura infanto-juvenil em que o protagonista (Anderson) vai pouco a pouco mudando a sua consciência e passando a dar valor em coisas que antes lhe pareciam banais. O universo criado pelo autor é muito bem desenvolvido, os personagens são bem desenvolvidos mas todos eles têm ainda perguntas não respondidas que devem ser tratadas nos próximos volumes.

Veredito

Ouro, fogo e megabytes é um livro cheio de lições de moral, fala sobre a destruição da natureza, sobre ganância, sobre a maldade e sobre a amizade que está acima de qualquer bem material. São todas as mensagens muito importantes e válidas para o tempo em que vivemos, em alguns momentos essas lições embutidas na história foram um pouquinho massantes, mas passa rápido, nada que comprometa a qualidade da história, que é leve, divertida e por vezes até engraçada.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O Lobo das Planícies (O Conquistador #1)

Páginas: 420
Ano: 2008
Autor: Conn Iggulden
Editora: Record


SINOPSE:
Temujin, segundo filho do chefe dos lobos, tinha apenas onze anos quando seu pai morreu numa emboscada. A família foi expulsa da tribo e deixada sozinha, sem comida nem abrigo, para morrer de fome nas duras planícies da Mongólia. Foi uma dura introdução a um súbito mundo adulto, mas Temujin sobreviveu, aprendendo a combater ameaças naturais e humanas.


O lobo das planícies é um livro de ficção histórica escrita por Conn Iggulden e conta a primeira parte da história de Temujin, desde sua infância na tribo dos lobos até se tornar um líder militar implacável contra seus inimigos.
A Mongólia do início do século XIII era um local dividido em diversas tribos que em alguns períodos faziam negócios enquanto em outros viviam em guerra, um mundo duro onde os guerreiros tinham orgulho em sequestrar mulheres de outras tribos para serem suas esposas. O inverno era cruel e apenas os mais fortes sobreviviam.
Temujin era filho do Cã da tribo dos lobos e tinha como objetivo se tornar Cã depois de seu pai, mas quando ele tem apenas 11 anos seu pai morre após uma emboscada e um novo Cã toma a tribo e expulsa Temujin e sua família sem armas ou comida, para que eles morram no rigoroso inverno das estepes.
Neste momento é dado um destaque maior para Hoelum a mãe de Temujin, mostrando toda a força que ela teve que ter e transmitir aos filhos, para eles não se entregassem ao desespero e sobrevivessem. O tempo vai passando e eles vão conseguido sobreviver e até melhoram de vida fazendo comércio com outros desgarrados como eles. Quando eles começam a se sentir seguros acontece algo que os lembra dos perigos da vida sem uma tribo para protegê-los, o ódio cresce dentro de Temujin, e ele arquiteta um plano para se vingar dos responsáveis pelo seu sofrimento, e o que ele faz em seguida abala o mundo.


A história é escrita de forma simples e dinâmica, alternando momentos de ação com momentos mais dramáticos, os personagens, exceto Temujin, não são completamente desenvolvidos, mas ainda assim são bons personagens que devem estar mais em foco nos próximos livros.
O pano de fundo da história, a ambientação também é muito bem feita, sendo que o autor viveu por um tempo entre os mongóis, ouvindo suas histórias e aprendendo os seus costumes, suas tradições.
Enfim O Lobo das Planícies é uma leitura recomendada a todos aqueles que gostam do gênero, com uma narrativa simples, batalhas muito bem descritas e um personagem principal forte e capaz de grandes feitos.

domingo, 13 de agosto de 2017

Ruínas de Gorlan (Rangers: Ordem dos Arqueiros#1)



        Vamos agora para mais um post do Pena, Tinteiro e Papel, nosso clube do livro. O livro essa vez é: As Ruínas de Gorlan uma história Infanto-juvenil escolhido pela Vanessa.

       Para ver as opiniões do Mateus, da Vanessa e da Giani é só clicar nos links ;)


Páginas: 240
Ano: 2009
Autor: John Flanagan
Editora: Fundamento


SINOPSE:
       Durante a vida inteira, o pequeno e frágil Will sonhou em ser um forte e bravo guerreiro, como o pai, que ele nunca conheceu. Por isso, ficou arrasado quando não conseguiu entrar para a Escola de Guerra. A partir daí, sua vida tomou um rumo inesperado: ele se tornou o aprendiz de Halt, o arqueiro. Relutante, Will aprendeu a usar as armas dos arqueiros: o arco, a flecha, uma capa manchada e... um pequeno pônei muito teimoso. Podem não ser a espada e o cavalo que ele desejava, mas foi com eles que Will e Halt partiram em uma perigosa missão. Essa será uma viagem de descobertas e aventuras fantásticas, na qual Will aprenderá que as armas dos arqueiros são muito mais valiosas do que ele imaginava



As ruínas de Gorlan é um livro de fantasia medieval que narra a história de Will, um garoto órfão que vive como protegido do Barão Arald no Castelo Redmont. Sempre que um protegido completa 15 anos ele deve se candidatar a uma vaga como aprendiz de algum mestre de ofício no castelo.

O maior sonho de Will é se tornar cavaleiro e para isso ele deve entrar para a Escola de Guerra. Mas apesar de sua inteligência e agilidade ele não é aceito, não tem estatura e é fraco para os padrões da Escola de Guerra. Mas um dos mestres reunidos mostra interesse em Will que tem um misto de felicidade e medo. Felicidade pois ele se vê livre do seu maior temor: viver como fazendeiro na vila próxima ao castelo. E medo pois o mestre que demonstrou interesse nele é Halt o Arqueiro, uma pessoa misteriosa que muitos acreditam ser algum tipo de praticante de magia negra.

Desconsolado e temeroso Will se torna aprendiz de Halt... e descobre que ser arqueiro não é tão ruim quanto ele acreditava. O treinamento é difícil e cansativo. Halt é um mestre muito exigente, econômico nos elogios e que não perde a oportunidade de deixar seu aprendiz “quebrar a cara” quando este se mostra muito afobado. Mas Will se mostra competente e corajoso… mas ele tera que por sua coragem e habilidade à prova, pois um grande inimigo sai do exílio colocando todo o reino sob ameaça novamente.



Este é o primeiro volume da gigante série (12 livros) Rangers: A Ordem dos Arqueiros escrita por John Flanagan. A história foi escrita para incentivar seu filho a ler, tanto que o personagem principal, Will, é inspirado nele, que na época era um garoto pequeno e fraco para a idade.

As Ruínas de Gorlan é um livro infanto-juvenil, é um livro pequeno, mas não é apenas uma aventura com único objetivo de entreter, por trás da aventura, da linguagem simples e escrita leve o autor introduz temas como a coragem, força de vontade e principalmente sobre a amizade.

domingo, 9 de julho de 2017

O Protegido (Ciclo das treva#1)

Vamos agora para mais uma resenha do nosso pequeno clube do livro, um clube que não está mais tão pequeno. Temos agora mais uma integrante nesse clube; a Giani (irmã da Vanessa) resolveu se juntar aos loucos e é a mais nova integrante do nosso clube do livro o blog dela é o Dualidade Peculiar. Clube que agora tem um nome (se não fosse a Giani esse clube iria se chamar “clube do livro” para sempre), pesamos, debatemos e escolhemos: Pena, Tinteiro e Papel. Sem mais delongas vamos a resenha do livro O Protegido, já avisando que a resenha contem spoilers.

Páginas: 514
Ano: 2015
Autor: Peter v. Brett
Editora: DarkSide Books


SINOPSE
Assim que a escuridão cai, os terraítas aparecem em grande quantidade, gigantes demônios de areia, de vento e de pedra, famintos por carne humana. Depois de séculos, os humanos definham com o esquecimento das marcas de proteção. Arlen, Leesha e Rojer, três jovens que sobreviveram aos ataques demoníacos, atrevem-se a lutar e encarar o perigo para salvar a humanidade.




O Protegido é o primeiro volume da série Ciclo das Trevas escrito por Peter V. Brett. O universo criado pelo autor é muito criativo, interessante e... sombrio: um mundo em que todo dia depois do pôr do sol demônios surgem das profundas e a única coisa que mantém as pessoas a salvo são as proteções. 
Nesse mundo sem esperança nós acompanhamos três personagens, Arlen vive em um vilarejo afastado das grandes cidades do reino e tem o sonho de se tornar um mensageiro (uma pessoa enfrenta o perigo dos terraítas, viajando longas distâncias para levar mensagens e suprimentos aos vilarejos e outros reinos), mas como ele vive em um vilarejo afastado esse é um sonho distante e nem mesmo ele realmente acredita que possa acontecer, porém as coisas mudam quando, em um dia, a noite chega cedo e sua mãe é atacada por terraítas, Arlen corre para tentar salvá-la, seu pai porém fica parado a beira das proteções com medo demais para ajudar. Arlen consegue levá-la para dentro de uma região protegida, mas ela já está gravemente ferida. Dois dias depois, cansado da covardia do pai Arlen foge. Foge com um grande desejo de não se esconder determinado a encontrar um modo de lutar contra os terraítas
Temos também Lessha e Rojer, que são personagens secundários e menos desenvolvidos (principalmente Rojer) do que Arlen. Lessha vive em um vilarejo mediano e é aterrorizada por sua mãe, inconformada por ter tido uma filha em vez de um filho, mas a vida dela muda após um ataque terraíta quando ela ajuda Bruna a ervanária e acaba se tornando sua aprendiz, acabado o seu treinamento ela é enviada para ajudar uma das aprendizes de Bruna em um hospital em Angiers. Rojer tem 03 anos e vive com seus pais em uma pequena cidade movimentada pela vinda do duque. O protetor da cidade tem toda a sua atenção em fazer grandes proteções na ponte de forma a impressionar o duque. As proteções das casas ficam mal cuidadas e em uma noite os terraítas atravessam as proteções e destroem a cidade. Os pais de Rojer morrem mas ele é salvo por um menestrel.



O protegido é uma história que eu tinha muita vontade de ler. A expectativa estava lá no alto. Porém ele foi a minha maior decepção literária do ano até o momento. O livro não é péssimo, mas na minha opinião é apenas “legal”, ficou muito abaixo das expectativas que eu tinha.
O livro é dividido em quatro partes, a primeira é uma introdução ao mundo e aos personagens essa parte ficou realmente muito boa, apresenta os personagens de forma dinâmica a ambientação é muito bem feita, com um conflito bem definido e totalmente plausível.
A segunda e terceira partes são quase totalmente focadas no Arlen e mostra seu desenvolvimento, seu treinamento, o aumento do seu ódio em relação aos terraítas e sua busca por alguma forma de derrotar os terraítas. Essas duas partes cobrem uma grande quantidade de tempo e acaba com uma grande transformação em Arlen. Essas partes são boas, mas ainda assim são mais fracas do que a primeira, a partir do final da segunda parte começam a acontecer coisas que começara a me incomodar. Personagens secundários mas de importância para a história foram deixados de lado de forma abrupta e sem nenhum desfecho em seus arcos. Já na terceira parte ele tira uma carta da manga e quebra o que era até então uma regra para salvar um personagem. Essas coisas me incomodavam mas ainda assim não prejudicavam tanto a história.
A quarta parte, o desfecho da história. Essa parte foi realmente muito ruim. Lessha e Rojer acabam se encontrando em Angiers e algo faz com que eles acabem viajando juntos. Eles acabam emboscados e são deixados ao relento com o sol próximo a se por, até ai tudo bem, a forma como tudo isso aconteceu foi bem desenvolvida e lógica. O que não tem sentido é Arlen aparecer do nada para salvar os dois. Outros pontos negativos para nessa parte foram as cenas de luta, o que na minha opinião foram totalmente surreais, além de um romance completamente sem sentido e lógica entre Arlen e Lessha.

Enfim, O protegido tem uma premissa interessantíssima e apesar de uma primeira parte promissora o autor se perdeu e não aproveitou todo o potencial que essa história tinha.

domingo, 30 de abril de 2017

O Signo dos quatro

Vamos agora para mais um post do nosso pequeno Clube do Livro. O livro dessa vez foi escolhido pelo Mateus. Um livro que conta uma aventura de Sherlock Holmes o maior detetive, não apenas da literatura mas de toda a ficção em todas as mídias. 

Vou aproveitar e deixar aqui o link para o post da Vanessa e do Mateus, vejam a opinião deles sobre o livro deste mês.



Páginas: 184
Ano: 2015
Autor: Sir Arthur Conan Doyle
Editora: Zahar

SINOPSE

O signo dos quatro traz Sherlock Holmes confiante como nunca, e irresistivelmente atraído pelas agruras de sua cliente Mary Morsan, uma bela mulher atormentada por um passado nebuloso. Com seu caro Watson, Holmes vê-se às voltas com uma aventura repleta de elementos dramáticos: as figuras misteriosas de um pigmeu e um homem com perna de pau, uma caçada desesperada, um cão digno de confiança e uma furiosa perseguição pelo Tâmisa.





"Não consigo viver sem trabalho cerebral. Para que mais vale a pena viver? Fique aqui ao lado da janela. Já reparou em como este mundo é melancólico, sombrio e inútil? Veja como a neblina amarelada desce para as ruas e envolve as casas de cores mortas. O que poderia ser mais desesperadamente prosaico e material? Doutor, qual é a utilidade de se ter uma habilidade quando não se tem campo para pô-la em prática? Crime é um lugar-comum, a existência é um lugar comum, e qualidade alguma salva aquilo que o lugar-comum executa neste mundo."

A frase acima é dita por um Sherlock Holmes depressivo e entediado pela monotonia que o cerca, porém as coisas mudam quando uma jovem chamada Mary Morstan, chega a Baker Street, e pede a sua ajuda, seu pai desapareceu a dez anos e desde então coisas estranhas começaram a acontecer, mas recentemente as coisas se tornaram ainda mais estranhas e... potencialmente mais perigosas.

Para solucionar o caso Sherlock Holmes e o Dr. John Watson, devem se envolver em uma trama repleta de rancor, vingança, roubo e assassinatos.
https://mundosherlock.wordpress.com


O Signo dos Quatro é o segundo de quatro romances (1- Um estudo em vermelho; 3- O Cão dos Baskervilles; 4- O vale do terror.) sobre SH, cada um dos livros conta um história fechada e independente da outra.

Como eu já devo ter falado antes, eu sou muito fã de Sherlock Holmes, foi através de um livro de contos dele que eu me adentrei no mundo da literatura. Essa segunda leitura quebrou um pouco da memória de perfeição que eu tinha desse livro. A história em si é excelente, com vários diálogos marcantes, como este que eu comecei a resenha, mas tem alguns outros no mínimo estranhos:

"Meu caro menino! - disse Holmes estrategicamente. - Que bochechas vermelhas você tem seu maroto! Vejamos, Jack, há alguma coisa que você queira?"

Outro ponto negativo nesse livro é a falta de suspense, Conan Doyle entregou muito nas explicações do Sherlock durante a história, inclusive quem é o assassino, coisa que não acontece nos contos por exemplo. O que move a história depois disso é apenas o desejo de saber o porquê dele ter feito o que fez (o que é motivo mais do que suficiente para continuar a leitura).

Mas a pior coisa de todas é a velocidade com que o Dr. Watson se apaixona! Em questão de algumas horas depois do primeiro contato ele já está perdidamente apaixonado, porém creio que isso seja marca da época em que o livro foi escrito.

Apesar dos pesares eu ainda recomendo este livro, não é a melhor história do detetive, mas ainda assim é uma história muito boa. Mas se você estava pensando em ler Sherlock Holmes e ficou com um pé atrás com essa resenha recomendo que não desista, dê uma chance a ele! Comece lendo os contos onde Conan Doyle é excelente ou então O cão dos Baskervilles que é o melhor dos quatro romances.

sábado, 18 de março de 2017

O Aprendiz (Conjurador #1)






Páginas: 350
Ano: 2015
Autor: Taran Matharu

Editora: Galera Record


SINOPSE

Em O aprendiz, primeiro volume da série Conjurador, Fletcher é um órfão de 15 anos e, para sua surpresa, conseguiu invocar um demônio do quinto nível. O problema é que apenas os nobres deveriam ser capazes de conjurar criaturas e usá-las na guerra contra os orcs. Mas plebeus como Fletcher também podem ser conjuradores, e o garoto consegue uma vaga na Academia Vocans, uma escola de magos que prepara seus alunos para os campos de batalha. Lá, ele irá enfrentar o bullying dos nobres, mas também aprenderá feitiços e fará amigos incomuns. Além de se provar digno de uma boa patente na guerra, Fletcher e seu grupo de segregados precisam se unir e vencer o preconceito que sofrem na desigual sociedade de Hominum.



O mundo de O Aprendiz é um mundo dominado por humanos, mas não um domínio absoluto e sim um domínio ameaçado. Anões vivem em guetos em cidades humanas, são reprimidos e tratados com desprezo e desconfiança devido às diversas vezes em que se revoltaram contra a soberania humana. Elfos vivem em reino no norte distante. Um dia, em um passado muito distante, eles já foram aliados dos humanos mas agora eles vivem em uma espécie de guerra fria. Mas o grande problema está ao sul. Orcs selvagens novamente surgem do meio de suas florestas tentando expandir seu território rumo ao norte, destruindo tudo o que estiver a frente. E para impedi-los os humanos precisam de conjuradores.


A história acompanha Fletcher um garoto de 15 anos, que foi abandonado ainda bebê as portas de Pelego e adotado por Berdon, um ferreiro que vende espadas para o exército na frente norte. Fletcher além de aprender a profissão ferreiro também é um bom caçador e o mais importante: sabe ler e escrever. Devido a esta habilidade ele consegue fazer algo quase impossível, algo que apenas os nobres deveriam conseguir, algo que apenas uns poucos plebeus conseguiram antes dele. Ele consegue conjurar um demônio. Mas na mesma noite ele é obrigado a fugir de Pelego.
Fletcher consegue chegar à Corcillum onde consegue ingressar na Academia Vocans, a escola para conjuradores. Inicialmente o aprendizado em Vocans durava cinco anos, mas a guerra contra os Orcs não ia bem, então após um período de dois anos na Academia, às vezes apenas um ano, os alunos eram enviados para a zona de guerra.
Na Academia Fletcher vai encarar o desprezo e o rancor dos nobres e alguns professores, enfrentará a morte mais de uma vez, mas conseguirá improváveis e poderosos amigos que se ajudarão na jornada para se tornar um conjurador e ajudar seu povo na guerra contra os Orcs.





Confesso que não estava muito animado para ler este livro, não estava muito na vibe de literatura infantojuvenil. Mas este livro foi uma grata surpresa. A história é simples e não é tão infantil quanto eu imaginava. Os personagens são bem construídos, você odeia os que deve odiar e ama os que deve amar. Ao cenário medieval, comum a este tipo de história, é acrescentado uma revolução industrial. Isso para mim foi uma grande e agradável surpresa, isso pode não ser grande coisa, mas já é um ponto positivo pela originalidade e além de tudo gera a curiosidade no leitor. (pelo menos neste que vos escreve rs).
Quanto ao final da história eu tenho um sentimento dúbio, mas não há como negar que não é impactante.

Enfim, O Aprendiz de Taran Matharu vale muito a pena ser lido, a história é dinâmica, leve, empolgante, original e principalmente muito bem escrita.
Mas atenção, trata-se de uma história infantojuvenil e deve ser lido como tal, não se deve esperar nada muito complexo à la Tolkien ou Martin